Sairé, a festa de Alter do Chão

O Sairé, segundo alguns historiadores, foi criado pelos índios como forma de homenagear os portugueses, que colonizaram o Médio e o Baixo Amazonas. Os índios teriam confeccionado o Sairé imitando os escudos usados pelos colonizadores, incluindo as cruzes que simbolizam o mistério da Santíssima Trindade. O caráter religioso teria origem, portanto, dessa deferência dos indígenas para com os portugueses. Mas a origem do Sairé também é atribuída aos frades jesuítas, que teriam criado o símbolo para ajudar na catequese dos indígenas. Essa é a hipótese mais provável, já que os índios, antes da catequização, não conheciam a religião cristã, os textos bíblicos e nem o mistério da Santíssima Trindade. Nas diferentes versões percebe-se que se tratava de uma festa em louvor ao Divino Espirito Santo. Suas origens remontam, portanto, ao período da colonização, a partir da segunda metade do século XVII, quando os padres jesuítas,que chegavam à região em sua missão evangelizadora, envolviam a música e dança em seus trabalhos missionários de catequese dos indígenas.
Curiosidades
A festa do Sairé era realizada por diferentes aldeias em diferentes lugares da Amazônia, no entando foram perdendo força com o passar dos anos.
O sairé de Alter do chão foi gradativamente sofrendo a influência de elementos profanos em seus rituais religiosos, conservando, no entanto, o seu símbolo original, o semicirculo com vários espelhos que imita um escudo português, confeccionado de cipó traçado, revestido de algodão e enfeitado com fitas e flores coloridas. 244093369_6c65c7e882
O grande semicírculo representa a carca de Noé; os espelhos, a luz do dia; o algodão simboliza a espuma e o ruído das águas batendo na arca durante os quarenta dias do dilúvio; enquanto as fitas e flores coloridas representam a fartura de alimentos existentes na arca. Dentro do semicirculo estão três cruzes que representam as três pessoas da Santíssima Trindade, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espirito Santo. Uma outra cruz na sua extremidade, representando a junção das três pessoas da Santíssima Trindade num só Deus.
Tal símbolo é conduzido durante aprocissão pela Saraipora, a maior autoridade da festa, ladeado por duas damas, em sinal de respeito a sua simbologia e importância.
Inicialmente era realizada apenas uma procissão qual era conduzido o Sairé, propriamente dito, um símbolo em forma de semi-círculo feito de cipó torcido, revestido de algodão e enfeitado com fitas flores da região. Após a chegada da procissão eram realizadas a reza e o jantar em que eram servidas as delícias da culinária regional, especialmente frutas e peixe. Há indícios de que em muitas localidades as festividades do Sairé duravam até três dias consecutivos. Com o passar dos anos o Sairé foi ganhando novas dimensões e novos rituais foram sendo introduzidos. Sem dúvida as maiores de inovações aconteceram no ano de 1997. A primeira delas foi a introdução das disputas entre os botos Tucuxi e Cor de Rosa dando um ar de competição à festa e nela inserindo uma das mais belas e mais tradicionais lendas da Amazônia, a lenda do boto.

O Sairé tornou-se ao longo dos anos um atrativo obrigatório para quem pretende descobrir os mistérios e encantos da cultura santarena. realiza-se tradicionalmente agora no mês de setembro.  Neste ano, 2017, a festa do Sairé teve inicio desta quinta-feira, 21/09 e vai até o dia 25/09.

Você é convidado especial para esta tradicional festa, carregada de simbolismo.
Em Alter do Chão.

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